IMG_2648.JPG

Olá!

Bem vindo ao nosso blog. Aqui eu conto um pouco sobre minhas experiências dentro da Odontologia nos EUA e o Processo de Validação do Diploma de Odontologia nos EUA. Espero que você aprenda bastante!

Setembro 2007

Setembro 2007

            Logo quando cheguei aos EUA no segundo semestre de 2007 eu não tinha a mínima ideia do que iria acontecer com a minha vida. Eu sabia exatamente onde eu estava profissionalmente e precisava dar uma guinada. Cheguei aos EUA com 800 dólares, tinha um quarto para alugar em uma casa com pessoas que eu não conhecia e uma possível entrevista de emprego para dali 2 dias. Se eu for parar para pensar bem, foi uma coisa meio sem juízo. Viajar quase 6500 quilômetros para uma possível entrevista de emprego não é coisa de quem está são da cabeça.

            A decisão de deixar o Brasil veio como uma alternativa colocada logo à minha frente em um momento profissional que exigia uma decisão definitiva. Depois de muito tempo eu consegui participar de uma reunião introdutória junto a uma cooperativa de Dentistas de São José dos Campos – SP, onde o meu ingresso poderia alavancar o meu consultório. Na época eu trabalhava com meu irmão que já fazia parte da cooperativa e, graças a ele, eu consegui participar desta reunião. Nós dois trabalhando juntos iriamos somar forças e ter mais condições de melhorar as coisas. Infelizmente eu mesmo não tinha ideia de como gerir um negócio e a minha esperança e ilusão de que na injeção de mais pacientes as coisas melhorariam. Mas mesmo que isso realmente acontecesse, hoje olhando para trás, eu imagino que nada daquilo teria acontecido pelo simples fato de eu não saber gerir um negócio. Aquela velha história que todo mundo reclama, que a Faculdade de Odontologia não forma Administradores só forma Dentistas e bla, bla, bla.

            Outra coisa que eu tinha em mente na época foi reformar meu consultório. Pouco antes de eu viajar, eu tinha colocado um pouco de dinheiro na pintura do ambiente. Mudei um pouco as cores e tinha dado uma geral em tudo. Coloquei uns moveis novos, desfiz-me de um antigo e devo dizer que para os padrões de onde eu estava trabalhando meu consultório não estava ruim. Era muito simples, mas estava um pouco mais atrativo. A renovação maior – caso eu não viajasse – seria na aquisição de um móvel realmente mais profissional. Eu precisava investir em algum equipamento, mas sem esquecer que eu deveria destinar uma boa quantidade de dinheiro para o meu ingresso na cooperativa. Ou eu investia no consultório ou eu viajava.

            Certo dia eu parei e refleti sobre o assunto. Viajar... Eu ficaria fora do Brasil por um período mínimo de 3 meses, pois este era o tempo para retorno que eu coloquei para mim mesmo caso nada desse certo nos EUA. Se eu voltasse para o Brasil eu diria: “Tudo bem! Eu tentei e não deu certo. Fui, vi e voltei”. Mas se eu não saísse do Brasil naquela época eu também olharia para trás depois de 10 anos e pensaria: “Caramba! E eu nem tentei”. O que eu tinha a perder saindo do Brasil? Absolutamente nada. Meu consultório existia para pagar as contas. Eu nunca – NUNCA – fiz lucro com meu trabalho dentro do meu próprio consultório. A minha maior aquisição oriunda do meu trabalho foi um radio/CD que eu usava durante o dia. A minha maior alegria foi quando eu fui nas Lojas Americanas e comprei aquele rádio. Dá para imaginar isso? Um rádio. Se eu não saísse naquele momento da minha vida, eu não teria outra oportunidade.

            Meus pais me disseram que eu sai no momento certo da minha vida. Com o apoio incondicional da minha esposa, eu viajei sozinho para Hyannis e pouco mais de 3 semanas para eu retornar ao Brasil eu consegui um emprego em uma loja de departamentos onde fui contratado única e exclusivamente porque eu falava Inglês. Mas não por conta do meu conhecimento dentro da área comercial. Fui contratado porque um casal de brasileiros que trabalhavam ali não falavam um “a” em inglês e eles precisavam de alguém para fazer a tradução das instruções para eles. Lembro-me ainda muito bem durante a minha entrevista que a entrevistadora quando viu o que eu fazia – Odontologia – ficou muito sem graça em dizer quanto seria o meu salário: US$8.00/hora. Aceitei na hora! Com este salário eu sabia que poderia estender por tempo indefinido a minha estadia – já que meus US$800.00 dólares iniciais já estavam quase acabando – e eu não precisaria mais voltar ao Brasil. Naquela altura do campeonato, ser dentista era a ultima coisa que eu pensava em ser. Naquele momento eu estava tendo a primeira oportunidade real de poder virar o jogo. Com aquele salário eu sabia que depois de 5 dias trabalhado eu poderia pagar pelo meu quarto e as despesas da casa. O restante eu poderia guardar. Guardar dinheiro!! Eu nunca soube o que era isso!

            O meu trabalho consistia em focar na área de sapatos da loja. Eu precisava deixar tudo arrumado, com os pares certos dentro das caixas, organizados nas gôndolas e os corredores limpos. Quando uma nova remessa de sapatos chegava eu precisava fazer a catalogação da ordem, colocar marcadores de segurança em cada um e coloca-los nas prateleiras. Acredite ou não foram os melhores dias da minha vida até então. Eu estava trabalhando, tinha um salário e a certeza de que Deus estava comandando tudo ali. Parecia loucura se alguém entrasse na área de deposito e visse um sujeito que era dentista no Brasil usando colete, gravata e camisa social cantando enquanto arrumava o estoque de sapatos.

            Pouco mais para a frente, eu vi que aquele salário que eu tinha me possibilitou fazer uma coisa que eu nunca pensei em fazer: compara um carro. Comprar um carro zero. Comparar um carro zero financiado. Comprar um carro zero 100% financiado. Meu primeiro carro nos Estados Unidos foi um carro zero, financiado 100%. O juro era lá nas alturas, mas com um salário de US$8.00/hora eu tinha em mãos um carro para me locomover. Pode até parecer loucura, mas na ponta do lápis era mais barato eu pagar um financiamento com quase 12% de juros ao ano em um carro zero do que pagar taxi para ir de casa para o trabalho e vice-versa.

            O que eu quero deixar aqui é o seguinte: Cada um de nós tem a oportunidade de melhorar de vida. Se sair do Brasil parecer a grande chance da sua vida, excelente! Saia mesmo! Mas esteja aberto para as oportunidades que aparecerem. Dedique-se integralmente ao que lhe cair às mãos. Faça o seu melhor e não reclame. Seja o melhor e mais dedicado no que você fizer. Nenhum trabalho é indigno e todo esforço é observado. Pode não ser recompensado, mas é observado. Depois do meu primeiro mês de trabalho eu recebi uma placa como destaque do mês. Seja o melhor e dê o seu melhor. Se eu tivesse desistido e retornado ao Brasil porque eu não consegui o trabalho como Dentista que eu tinha ido procurar, teria perdido a oportunidade porque depois de 4 meses que eu tinha chegado, eu recebi a ligação do então Diretor Clínico perguntando seu eu ainda tinha interesse na vaga como Dentista.

            Se o seu desejo é morar e trabalhar nos EUA como Dentista, meu conselho é: prepare-se. Não é um caminho fácil. Não use as histórias dos outros como caminho para sua vida. Use estas histórias como inspiração. No final você escreverá a sua própria e poderá inspirar ainda outros tantos colegas.

            Um abraço e sucesso sempre!

Depois de um mês

Depois de um mês

Deixe seu ego na porta

Deixe seu ego na porta