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Olá!

Bem vindo ao nosso blog. Aqui eu conto um pouco sobre minhas experiências dentro da Odontologia nos EUA e o Processo de Validação do Diploma de Odontologia nos EUA. Espero que você aprenda bastante!

Nem Tudo São Flores

Nem Tudo São Flores

            No final de 2013 nosso Community Health Center iniciou um processo junto ao Commission of Dental Accreditation (CODA) – a mesma instituição que rege com a American Dental Association – os cursos de Odontologia nos EUA. Sem a chancela desta instituição o curso de Odontologia não é reconhecido em solo Americano. Este é o principal motivo porquê Dentistas graduados fora dos EUA não podem exercer a Odontologia nos EUA. Ainda há pouco tempo eu soube que uma Universidade na Arábia Saudita recebeu a chancela do CODA. Você pode ler esta informação aqui.

            O intuito desta visita deste grupo de profissionais junto às Clinicas Odontológicas foi para verificar a possibilidade de se sediar um programa de Residência em Odontologia. E o que vem a ser este programa de Residência?

            Há muitos anos no Brasil, para poder iniciar um programa de Especialização era necessário que a pessoa que buscava especializar-se tivesse no mínimo 2 anos de experiência clinica. Ainda que pareça um absurdo uma coisa destas hoje em dia, faz muito sentido porque o Profissional tem a oportunidade de entrar em contato com a clinica geral e aprender a lidar com situações que, por vezes, era somente tratado dentro da Faculdade. Esta vivência clínica daria a oportunidade para que o Dentista conhecesse um pouco mais da profissão e tomar uma decisão pela especialização pautada mais pela experiência e afinidade do que pelo quanto ela poderá render no futuro. Hoje em dia sabe-se que muitos profissionais recém-formados no Brasil praticamente já saem matriculados em cursos de Especialização para “enfrentar” o mundo. Alguns tem muito sucesso, outros tem sucesso e outros tantos ainda buscam pelo sucesso.

            Aqui nos Estados Unidos a coisa funciona um pouco diferente. Não existe um tempo mínimo para que a pessoa cumpra para fazer uma Especialização. Aqui eu acho que existe um pouco mais de prudência por parte dos recém-formados, coisa que é um pouco trabalhada durante os anos da faculdade. Muitos dos Dentistas recém-formados têm consciência da sua inabilidade dentro da prática clinica. Seriam as Universidades responsáveis por uma qualidade questionável de ensino? Sinceramente, não dá para comparar. Eu não vou me ater a detalhes e metodologias de ensino porque eu não conheço nada sobre o assunto. Eu posso compartilhar o que eu vi.

            Por alguns anos eu acompanhei alunos da graduação da Universidade de Boston em períodos de estágio onde eu trabalhava. Eles tem um conhecimento bom sobre a atividade. Durante este período de estágio eles passam por 10 semanas fazendo o atendimento de pacientes e vivenciando um pouco a atividade no seu dia a dia. Eles tem contato com pacientes, são responsáveis pela limpeza da sua sala, biossegurança e algumas vezes o agendamento dos pacientes. Não completam nada sem que haja a verificação por parte do corpo clinico do local onde estão estagiando e recebem cobertura de seguro de responsabilidade civil por parte da Faculdade.

            Durante este tempo que os alunos passam estagiando eles tem um primeiro contato com o que será sua atividade diária em um consultório Dentário. Alguns já sabem exatamente o que farão no futuro. Outros não se decidiram ainda. Outros nem sabem o que estão fazendo ali. De qualquer forma, o que todos eles têm em comum é o próximo passo que vão tomar. Eles saem da Faculdade a procuram um programa de Residência chamado Advanced Education in General Dentistry (AEGD).

            O AEGD é um programa dedicado a Dentistas recém-formados ou graduados fora dos EUA que buscam exercer a atividade em solo americano. Para os primeiros é a forma que eles encontram para pegar traquejo clinico. Os programas variam de local para local. As Universidades oferecem este programa sempre para um numero limitado de Dentistas. Sendo as vagas limitadas e a quantidade de procura grande, dá para imaginar que a disputa é grande entre os Dentistas Americanos. Para os Dentistas graduados fora dos EUA este é um caminho para que eles possam ter seu Diploma reconhecido sem que tenham a necessidade de investir uma quantidade exorbitante de dinheiro. Alguns destes programas são pagos – sempre muito bem pagos – e outros oferecem uma bolsa (stipend), que é uma ajuda de custo. Ao invés de pagar a pessoa recebe um dinheiro para aprender. Nada mal, certo?

            Não tanto...

            Os programas de AEGD que oferecem vagas para Dentistas graduados fora dos EUA e que oferecem esta bolsa dão preferencia para os Dentistas Americanos. Isso é obvio e eu não vou me ater a detalhes que julguem este quesito ser justo ou injusto. O que é importante saber é que existem programas espalhados pelo país inteiro que abrem oportunidades para Dentistas graduados fora dos EUA, e aqueles que correm atrás e batalham e lutam e estudam – muito – para ingressar conseguem.

            Para os Dentistas Estrangeiros que conseguem ingressar nestes programas o valor da bolsa que é oferecido – por vezes – chega a ser menos da metade do que seria oferecido a um Dentista Americano. E por que? você me pergunta. E eu respondo como o Chicó, personagem do Auto da Compadecida: “Não sei. Só sei que é assim”. Eu realmente não sei o motivo e somente estou passando esta informação para o blog porque um dos Residentes que está conosco este ano é americano – nascido em solo Americano – mas graduado na Faculdade de Odontologia na Republica Dominicana. Isso mesmo! Mesmo sendo Cidadão Americano ele recebe sua bolsa como sendo um Dentista Estrangeiro porque ele se formou fora em uma Universidade não reconhecida pela CODA.

            Para não me estender muito mais, o que quero dizer é que aqui nos Estados Unidos os cursos de Residência em Clinica Geral (AEGD) são disputadíssimos e muito puxados. Os Residentes têm um trabalho mínimo a ser apresentado ao final de cada ano onde envolve-se Dentística, Endo, Perio, Cirurgia, Prótese fixa, Removível, Sedação Consciente; além de aulas mensais com professores e todos os Residentes expondo casos clínicos para discussão em sala de aula. No caso o Residente decidir partir para um segundo ano de Residência eles devem entregar o trabalho em volume dobrado do ano anterior.

            A oportunidade existe, ainda que nem tudo seja tão simples quanto possa parecer. Não é o fato de se conseguir ingressar em um programa de Residência (AEGD) que ofereça uma bolsa (stipend) que irá garantir o sucesso. Caso você, Dentista graduado no Brasil, deseje partir para este programa, tenha na manga uma fonte de sustento para poder complementar o que é oferecido pelo programa. O que vale passar por todo processo de estudo, inscrição, entrevista, atendimento clínico, aulas e apresentações e não ter força depois para trabalhar porque não tinha o que comer?

            Um abraço e sucesso sempre!

Alternativa C

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Abram os Olhos

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